1421, China

1421, China.

Zhu Di,  terceiro imperador da Dinastia Ming, recebe governantes e
embaixadores de mais de 30 paises da Ásia e África como convidados
para a inauguração da majestosa Cidade proibida. Nesta época a China
superava em muito qualquer pais na face da terra. A maior potência do
planeta estava séculos adiante da Europa e Ásia em avanços
científicos, tecnológicos, culturais e tinha a maior frota de navios
já construída. Esta frota, foi em grande parte herdada da dinastia
anterior: a dinastia Mongol Yuan (construída por Kublai Khan – neto de
Genghis Khan). O imperador Zhu Di ampliou a frota com a construção de
navios gigantes conhecidos como “Navios do Tesouro”. Tinha como
objetivos: mostrar ao mundo o poderio e a superioridade da China,
ampliar o comércio, conhecer novos territórios  e  desenvolver estudos
de navegação. A frente desta frota foi colocado um almirante de
confiança do imperador: Zheng He.



Zheng He comandou sete expedições pelo oceano Indico, entre 1405 e
1433, visitando as principais cidades do sudeste asiático , Golfo
Pérsico e África. O oceano Indico tornou-se um lago da China. A China
dominava o lucrativo comércio de especiarias por via marítima e podia
vender sua seda e porcelana para o mundo. Estas expedições foram
abruptamente interrompidas com a morte do Imperador Zhu Di. O poder
mudou de mãos e passou a ser exercido com a corrente de pensamento dos
mandarins confucianos. Eles acreditavam que o contato com o mundo
externo não trazia influências positivas para a China. As expedições
foram encerradas e a grande frota foi desmantelada. Até mesmo os
registros das viagens foram destruídos.




A Zheng He foi concedida uma última viagem ao Golfo Pérsico e antes de
retornar a China faleceu. Em paralelo Portugal, liderado pelo Infante
Dom Henrique, Grão Mestre da poderosa Ordem de Cristo e filho do rei
João I , dava os primeiros passos para desenvolver sua capacidade de
navegação em mar aberto.  O primeiro grande feito foi alcançar o cabo
do Bojador na costa da África , sob o comando do navegador Gil Eanes.
Este feito marcou o início de outras grandes descobertas como o
caminho maritimo para as Indias (sudeste Asiatico), descobrimento do
Brasil, circunavegação do mundo e viagens as Antilhas e América. Era
Portugal ocupando o lugar que a China decidiu não tomar.

Esta é a história real e documentada.

Em um livro lançado em 2002 o escritor Gavin Menzies expos uma teoria
que veio a abalar os estudiosos e que tornou seu livro um grande
sucesso de vendas. Segundo Menzies Portugal e Espanha partiram para
suas expedições com mapas que já indicavam locais até então
desconhecidos dos Europeus. Estes mapas teriam passado dos Chineses
para Portugal através de um explorador chamado Nicola da Conti.  De
fato Da Conti viajou o mundo, aprendeu a lingua árabe, converteu-se ao
islamismo e esteve em Calicute na India. Foi ai que teve a
oportunidade de testemunhar o poderio da frota Chinesa que
encontrava-se no momento aportada no local e se apoderou de alguns
mapas.


Menzies vai mais longe e segundo suas pesquisas (e fértil  imaginação)
Zheng He teria feito uma viagem não documentada entre 1421 e 1423. As
quatro frotas comandadas por ele teriam dobrado o Cabo da Boa
Esperança muito antes de Bartolomeu Dias. A frota ao chegar a Cabo
Verde teria se dividido em três e partiram para as Américas,
Antartida, Australia, e até mesmo para a península escandinava. Teriam
circunavegado o mundo e chegado a estes locais muito antes de Cabral,
Colombo, Fernão de Magalhães e Capitão Cook.

Dez anos após o lançamento do livro sua teoria ainda não encontrou
respaldo da comunidade científica e nenhuma forte prova arqueológica
foi encontrada.  O mérito de seu livro foi mostrar ao mundo ocidental
o que todos os orientais já sabiam: existiu um grande navegador que no
século XV  desbravou oceanos e conquistou países, sem o uso de canhões
nem exércitos (embora os tivessem), sem matar e sem destruir cidades.
A China dominou por algum tempo os mares e o comércio com sua
diplomacia e com o pensamento de tratar os povos desconhecidos com
humanidade.  É bem possível que os exploradores Europeus tenham de
fato usado mapas e conhecimentos dos chineses em suas explorações
marítimas mas com certeza não colocaram em seus mapas e planos  o
pensamento de tratar os demais povos com respeito.